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Como escolher e investir em ações pelo Home Broker Por Renato Vinícius Filipov, Revista Moeda Viva, março/2009
Seguindo a "lei da oferta e da procura", o mercado de renda variável funciona de forma análoga: quando um determinado papel tem muita oferta para venda, isso pode sinalizar um maior pessimismo em relação a esse título e o valor dele cai. E quanto mais investidores estão interessados em comprá-lo, mais valerá esse ativo. Com a queda na taxa básica de juros, o mercado de renda variável e de derivativos tornou-se alvo de maciço investimento pelos "tubarões", apelido comum no jargão do mercado para os grandes bancos, aplicadores estrangeiros e grupos de investidores. Uma grande quantidade de dinheiro foi injetada na bolsa e por isso o IBOVESPA, principal índice da Bolsa de São Paulo, subiu mais de 450% entre o final de 2002 e o início de 2008. Em 2007, os ganhos superaram os 40%, contra 11% do CDI e 7,7% da poupança. De janeiro de 2007 ao mesmo período de 2008, o número de investidores pessoas físicas saltou de 224.536 para 466.830. Esse expressivo aumento foi conseqüência direta da grande oferta e facilidade de utilização dos Home Brokers, ferramentas que permitem a qualquer investidor aplicar o seu capital em ações sem ter que recorrer ao telefone ou consultar o gerente de sua conta. Aplicar em ações pelo HB é muito mais fácil do que parece. Por ser uma atividade que afeta diretamente o nosso patrimônio, no início pode parecer assustador, mas a dica é começar aplicando pequenas quantias até se tornar um processo familiar. O primeiro passo é escolher uma boa corretora de valores, que fará a interface entre você e o pregão eletrônico. Há dezenas de opções no mercado, e o critério da escolha vai depender da intenção de cada um. As corretoras dos próprios bancos são muito práticas e simples de usar, ideal para quem está começando nessa atividade. Elas permitem aplicar e resgatar o capital diretamente da conta corrente sem ter a necessidade de se criar uma nova conta de investimento. Com o fim da CPMF, isso se tornou uma mão na roda. Mas por serem simples demais, podem não atrair investidores mais experientes. Nesse caso, basta recorrer a outras corretoras independentes. Dentre elas, o que varia são a taxa de operação, a forma de acesso ao Home Broker e opções de ordens de compra e venda. Vale pesquisar por opiniões de quem já investe por essas corretoras para não correr o risco de escolher a mais em conta e ter seu sistema fora do ar em momentos importantes, como ocorreu na ocasião do título de grau de investimento que o Brasil recebeu no início de 2008. Algumas corretoras não suportaram o alto volume de acessos nesse dia e as operações ficaram fora do ar. Dentre as opções básicas de um Home Broker, para lançar uma ordem de compra ou venda basta escolher o código do ativo (a ação), a quantidade de papéis a operar e o valor limite disposto a pagar na compra ou a receber pela venda por cada papel. Por exemplo, se uma determinada ação vale R$ 22, podemos lançar uma ordem de compra de 100 papéis com preço limite de R$ 20. Se o valor desse ativo cair e chegar aos R$ 20 registrado no HB, automaticamente a ordem é executada. Pode-se escolher por quanto tempo essa ordem ficará registrada, ou seja, se valerá por 30 dias ou somente para hoje, sendo cancelada caso não tenha alcançado o valor desejado no período. Isso é bastante útil para quem opera no curto ou no curtíssimo prazo, comprando e vendendo ações no mesmo dia, por exemplo. Essa técnica, chamada de day trade, torna-se mais freqüente conforme a experiência nas operações se tornar algo do cotidiano. Algumas corretoras oferecem opções avançadas de operações, como a técnica de stop e stop móvel. Você pode cadastrar uma ordem de venda a R$ 25 para o mesmo ativo comprado a R$ 20, mas também registrar um stop a R$ 19. Nesse caso, o investidor pode limitar as perdas se essa ação entrar em uma linha de tendência de queda muito acentuada, vendendo o papel a R$ 19 (às vezes, é melhor vender com um stop curto do que deixar o papel cair 50%...). Enfim, a melhor receita para as operações pelo Home Broker é a informação e a cautela. A mesma liberdade que torna o acesso simples e democrático pode acarretar em perdas de capital significativas no curto prazo. As possibilidades de ganhos imediatos podem seduzir, mas os especialistas recomendam que as grandes chances de lucro somente serão alcançadas se a meta for mantida para o longo prazo. A atual crise financeira mundial derrubou o IBOVESPA em 2008 em mais de 40%, mas sabendo o momento certo de comprar e vender pode-se registrar ganhos mesmo em tempos de crise. Vale lembrar que nos últimos 40 anos, somente em sete deles a bolsa terminou no vermelho. Mantenha-se sempre bem informado sobre o mercado, inicie as operações com calma e bons negócios! 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